
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (3), o autônomo Victor Cauã Aquino de Oliveira, 22, sob a acusação de integrar uma organização criminosa em Mossoró, segunda maior cidade do estado. A prisão, efetuada na rua Santa Ana, no bairro Santa Delmira, foi decretada pela Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), após investigações apontarem a periculosidade do jovem na articulação de homicídios e na logística de armamentos de uma facção local.
O histórico que levou à prisão preventiva de Cauã começou a se desenhar em junho deste ano. No dia 9 daquele mês, investigadores da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc) de Mossoró montaram uma campana tática na rua Tonheca Dantas, no bairro Abolição, para apurar denúncias de tráfico de drogas. Ao monitorarem o endereço, agentes filmaram usuários na calçada e flagraram o suspeito saindo de moto para buscar entorpecentes.
A abordagem que desencadeou a primeira prisão, contudo, teve um pretexto incomum: o jovem foi avistado pelos policiais carregando na calçada uma gaiola com uma “golinha”, pássaro da fauna silvestre mantido de forma ilegal. O flagrante do crime ambiental, somado à movimentação típica do tráfico já documentada em vídeo, deu o amparo jurídico necessário para que a equipe fizesse a incursão imediata no imóvel.
Dentro da residência, os policiais flagraram uma mulher repassando um cigarro de maconha a um usuário. Na busca domiciliar, foram apreendidos 25 gramas de cocaína, porções de maconha, balança de precisão, R$ 134 em espécie e a motocicleta de Oliveira. Escondida em um armário, a equipe localizou uma pistola Taurus TS9 calibre 9mm, de uso restrito, carregada com 18 munições intactas. Dois celulares também foram recolhidos.
À época, o suspeito foi autuado, mas recebeu o benefício de responder em liberdade poucos dias após o flagrante. A liberdade, no entanto, durou pouco. Com o material apreendido e o avanço do inquérito, o delegado Elvis e sua equipe na Denarc reuniram provas de que a atuação de Cauã ia muito além do comércio de entorpecentes de bairro. Os relatórios indicaram que o autônomo exercia um papel ativo e considerado de alta periculosidade na estrutura faccionada, monitorando alvos rivais e viabilizando o suporte logístico para execuções.
Diante do diagnóstico de que o investigado representava uma grave ameaça à ordem pública, o caso foi remetido à vara especializada em organizações criminosas do TJRN, que determinou o novo mandado de prisão. Cauã foi encaminhado de volta ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.