
Muito antes de o asfalto cortar o semiárido potiguar ou de as primeiras cercas delimitarem o antigo povoado de Curral da Várzea, as águas do rio que batiza a região já testemunhavam o silêncio e o movimento dos indígenas Pêgas. Da grande nação dos tapuias tarairius, os Pêgas habitavam os vales úmidos e as terras férteis do sertão, deixando na memória coletiva a própria gênese do lugar: reza a tradição local que, por volta de 1750, ao descerem o leito hídrico desiludidos com a escassez de peixes, apelidaram o curso d'água de "panema" – que na tradução livre evoca a "água ruim" ou o "rio sem peixes". Apesar do histórico de escassez, hoje Upanema reconta sua história através dos campos férteis do progresso.
É sob o eco dessa ancestralidade que o município, no Oeste do Rio Grande do Norte, celebrou nesta quarta-feira (16) seus 73 anos de emancipação política. Da herança indígena ao posterior início do povoado colonial em 1867, capitaneado pelo padre Francisco Adelino de Brito, a antiga vila agrícola ganhou contornos de cidade e desmembrou-se oficialmente de Augusto Severo (atual Campo Grande) e Mossoró em 16 de setembro de 1953. Hoje, com pouco mais de 13 mil habitantes, a jovem cidade celebra sua história apoiada em um forte ritmo de expansão urbana e na consolidação de sua vocação agroexportadora.
As festividades cívicas, que se estenderam de 1º a 16 de setembro, jogam luz sobre o atual ciclo econômico do município, impulsionado pela atração de investimentos na fruticultura irrigada e na construção civil.
Infraestrutura em Saúde e Educação
O principal motor do crescimento visível no município hoje vem do investimento em infraestrutura básica. No setor de saúde, o destaque é a construção do novo hospital municipal, um projeto de mais de R$ 6 milhões voltado para atendimentos de baixa e média complexidade.
“É um hospital, como eu disse, de pequeno porte, ele é dimensionado para a realidade do município, não tem leito de UTI porque não é a realidade do município, não é um hospital regional”, explica o prefeito de Upanema, Renan Mendonça Fernandes. “É um hospital que vai oportunizar a gente pactuar cirurgias eletivas, como eu disse, de pequeno e médio porte e vai também oportunizar uma maior estrutura de atendimento de urgência e emergência [...]. São em torno de 20 leitos, 20 leitos no sentido para as cirurgias eletivas, mas que se transformam em mais quando organizados nas oportunidades de agendamento”.
A curto prazo, a gestão destaca a recente ativação da sala de Raio X municipal, que realizou mais de 150 exames em seu primeiro mês de funcionamento. A meta do governo local é estruturar a escala de atendimento para absorver demandas de pacientes vindos de cidades vizinhas.
Na educação, a rede pública municipal passa por ampliações estruturais para expandir a jornada escolar. A principal frente de trabalho ocorre no Centro de Municipal de Educação (CME), uma obra de R$ 1,3 milhão que acrescentará 10 novas salas de aula à unidade para viabilizar o alcance de 100% de ensino integral na creche. Em paralelo, os últimos índices do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) indicaram que o município manteve o ritmo de crescimento registrado no estado.
Atração de Empresas e Emprego
A localização geográfica e a disponibilidade de recursos hídricos têm consolidado Upanema como um polo para a fruticultura irrigada voltada à exportação. O solo fértil da região tem atraído empresas produtoras de frutas, gerando um ciclo interno de empregabilidade.
“O município de Upanema tem muitas potencialidades, é um município promissor, está bem localizado, dentro da nossa região, e também é muito promissor no sentido de ter acesso à água, de ter grandes terras, solos férteis, e a gente tem essa aptidão para a fruticultura irrigada”, aponta o prefeito Renan Mendonça. “A prefeitura sempre procura estar próxima a essas empresas, apoiando no que for necessário para que elas consigam exercer bem suas atividades, gerar emprego e renda”.
Para fazer a ponte entre os trabalhadores locais e o setor privado (que engloba desde a agricultura até a construção civil e o comércio), a administração municipal estruturou a Sala do Empreendedor em parceria com o Sebrae. O espaço centraliza um banco de currículos e oferece cursos de qualificação técnica.
Identidade Local
As celebrações dos 73 anos de emancipação política foram utilizadas pela administração municipal como vitrine para movimentar o comércio local e valorizar a produção cultural da região.
“Olha, a gestão pública, por si só, é um desafio enorme. A gente aproveita esse momento de festividade de emancipação política para a gente lembrar da identidade do município, reforçar a nossa cultura, ressaltar a arte na nossa cidade, ressaltar o desenvolvimento econômico através de eventos que impulsionem, que tragam um ambiente de desenvolvimento para a cidade”, avalia Fernandes.
Apesar de ser uma emancipação considerada recente em comparação com outros polos potiguares, o município busca se posicionar na vanguarda do desenvolvimento da região Oeste do estado. “É um município promissor, é um município que tem sua emancipação relativamente recente, mas que a gente vê que tem crescido bastante no ritmo, bastante intenso, a vista de outras cidades do mesmo perfil”, conclui o chefe do Executivo.