
O Tribunal do Júri Popular (TJP) se reúne nesta quinta-feira, dia 10 de setembro de 2026, no Fórum Municipal Desembargador Silveira Martins, em Mossoró-RN, para julgar o pistoleiro Elino da Silva Lima Paiva, de 34 anos, pelo assassinato do barbeiro Josean Oliveira Rocha, ocorrido no final da tarde do dia 9 de janeiro de 2025, no Centro de Alto do Rodrigues-RN.
Na denúncia, o Ministério Público Estadual aponta que Elino agiu com dissimulação. Ele chegou à barbearia da vítima, gritou que era um assalto e, quando todos estavam no chão e rendidos, atirou três vezes na cabeça de Josean, fugindo em seguida. Josean ainda foi socorrido para o Hospital Regional Tarcísio Maia, mas não resistiu aos ferimentos. O crime causou enorme repercussão no Rio Grande do Norte.
Testemunhas repassaram à polícia as características do suspeito, o que auxiliou na sua localização. Na delegacia, ele foi reconhecido com absoluta certeza. Em seu interrogatório, Elino confessou o crime e detalhou a dinâmica da execução. Na ocasião, o pistoleiro afirmou que matou o jovem barbeiro em troca de 3 mil reais.
Segundo o acusado, ele teria sido contratado pelo vereador Janilson Olegário de Melo, conhecido como Nanan, do município de Pendências-RN, e pelo advogado Romenigue Cabral, de Alto do Rodrigues-RN. A motivação seria a crença dos mandantes de que Josean teria divulgado um vídeo íntimo da ex-companheira, que seria parente deles. No entanto, o MPRN aponta que essa suspeita nunca foi comprovada.
A denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça Edgard Jurema de Medeiros, designado para atuar no Tribunal do Júri Popular na Comarca de Mossoró, com a assistência do advogado Anesiano Ramos, do Seridó. Na defesa do réu, está prevista a atuação do advogado Gilvam Lira Pereira. O julgamento deve começar às 9h.
Pelo menos dez testemunhas foram arroladas para prestar depoimento, além do réu Elino. Os trabalhos serão presididos pelo juiz José Ronivon Beija-Mim de Lima.
Os apontados como mandantes do assassinato de Josean — o vereador Nanan e o advogado Romenigue Cabral — serão levados às barras da Justiça em momento posterior e aguardam julgamento em liberdade. O processo foi desmembrado para que o réu confesso, que está preso, seja julgado separadamente.
A princípio, o julgamento seria realizado no município onde ocorreu o crime, mas foi pedido o desaforamento para a Comarca de Mossoró devido à forte influência exercida pelos acusados na região do Vale do Açu.