
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia à Justiça Federal do Rio Grande do Norte contra 11 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa pelos crimes de contrabando de cigarros e lavagem de dinheiro. O grupo utilizava o litoral norte potiguar como porta de entrada para cargas ilegais que abasteciam não só o estado, mas também Paraíba e Pernambuco.
A denúncia é resultado da Operação Karkinos, realizada em novembro de 2025 pelo MPF e Polícia Federal, com apoio da Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal. O esquema contava com núcleos de logística, contatos internacionais e segurança armada. Entre os denunciados estão empresários, motoristas e até um policial militar.
Entre os denunciados apresentados pelo MPF estão Marcelo Victor Firmino do Amaral, Robson Firmino de Oliveira, Erivaldo Gomes Ferreira, Aciclébio Dantas de Andrade, Wander Douglas da Rocha Cortez Dantas, Simeão Quinto da Silva Neto e Renato Carlos de Souza. Segundo as investigações, cada um desempenhava funções específicas dentro da estrutura do grupo.
As investigações revelaram que o grupo aproveitava a menor fiscalização em áreas de salinas – entre os municípios de Porto do Mangue e Macau - para desembarcar cargas de cigarros contrabandeados, vindos em embarcações provenientes do exterior. O desembarque ocorria durante a maré cheia (preamar) para facilitar a entrada dos barcos maiores nos canais de difícil acesso.
Os maços eram transportados em caminhões acompanhados por integrantes da quadrilha, em veículos leves à frente, atuando como “batedores”, monitorando a presença da polícia nas estradas. Os cigarros eram armazenados em depósitos em municípios como Riachuelo e São Paulo do Potengi, no interior potiguar, e Algodão de Jandaíra, na Paraíba, antes de serem enviados para outros pontos de comercialização, utilizando rodovias federais e estaduais.
O MPF baseou a denúncia em diversas provas – incluindo a análise de torres de celular (ERBs) - que confirmaram o deslocamento simultâneo dos suspeitos durante os crimes, além das informações obtidas a partir de diversos flagrantes ocorridos entre agosto de 2024 e novembro de 2025, principalmente em Natal e Mossoró. Os flagrantes resultaram na apreensão de mais de 3,4 milhões de maços de cigarros contrabandeados, avaliados em aproximadamente R$ 14 milhões.
Crimes - O MPF denunciou os acusados pelos crimes de integrar organização criminosa (art. 2º da Lei 12.850/13), contrabando qualificado (art. 334-A, § 1º, incisos II, IV e V, e § 3º do Código Penal) e lavagem de capitais (art. 1º, § 1º, II, § 2º, I, e § 4º da Lei nº 9.613/1998).
Ação Penal nº 0001271-68.2026.4.05.8403