
A Controladoria-Geral da União (CGU) aplicou uma suspensão de 47 dias a um professor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa). O afastamento ocorreu após um processo administrativo disciplinar comprovar o uso de um certificado falso de vacinação contra a Covid-19.
A universidade confirmou o recebimento da notificação e informou que cumpre a determinação legal. A instituição alegou que o caso correu sob sigilo e que, por força de lei, a identidade do docente e os detalhes da investigação serão preservados.
Fraude coordenada e espelho do caso Bolsonaro
O docente da instituição potiguar integra um grupo de oito servidores federais punidos pelo órgão de controle em uma operação nacional. As sanções foram publicadas no Diário Oficial da União e englobam funcionários de hospitais públicos e de outras universidades federais. As penalidades aplicadas aos demais envolvidos variam de 32 a 47 dias de suspensão.
Investigações apontam que os servidores burlaram o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI). O objetivo da fraude era simular a imunização para viabilizar viagens internacionais ou garantir o acesso a locais de trabalho que exigiam o comprovante sanitário. O esquema envolvia o pagamento de taxas ilegais entre R$ 400 e R$ 800 para intermediários inserirem as vacinas falsas.
O modus operandi repete a engenharia de fraude que esteve no centro do cerco judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi indiciado pela Polícia Federal por associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações pelos mesmos motivos.
A apuração sobre os cartões do ex-presidente, de sua filha e de assessores próximos — como o tenente-coronel Mauro Cid — revelou que o grupo também violou os bancos de dados do Ministério da Saúde para simular a imunização. Segundo relatórios da PF, o objetivo da cúpula do governo anterior era manter a coerência com o discurso público de ceticismo antivacina adotado por Bolsonaro durante a crise sanitária, ao mesmo tempo em que burlavam restrições internacionais de viagens.
• Acesso ilegal: Servidores federais e a comitiva presidencial usavam dados adulterados em plataformas de saúde.
• Ação do órgão: A CGU enquadrou o grupo de servidores por descumprimento de deveres éticos e quebra da moralidade administrativa.
• Origem: O pente-fino que resultou na punição dos professores e servidores da saúde partiu do mesmo cruzamento de dados que investigou a carteira vacinal da comitiva de Bolsonaro.
Desdobramentos
A apuração administrativa conduzida pela Controladoria correu de forma paralela aos inquéritos criminais liderados pela Polícia Federal. Os investigadores cruzaram dados de acessos nos sistemas de saúde com os registros de geolocalização e viagens dos servidores.
A Ufersa reiterou em nota que a apuração foi de responsabilidade exclusiva do órgão de controle em Brasília, restando à reitoria local apenas a execução administrativa do afastamento do servidor. O professor ficará sem receber remuneração proporcional ao período da punição.