
O governo do Rio Grande do Norte formalizou nesta terça-feira, em Mossoró, a adesão de municípios ao programa Bem-te-vi. A iniciativa tem o objetivo de reduzir a mortalidade materna durante o parto, além de diminuir o número de nascimentos de crianças prematuras e com baixo peso na região Oeste do estado.
O programa prevê uma ação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal para qualificar o atendimento na atenção primária e estruturar a rede de assistência materno-infantil.
A governadora Fátima Bezerra (PT) destacou o caráter de cooperação da medida. “O programa Bem-te-vi já foi lançado, inclusive com a presença do Ministério da Saúde em Mossoró, e hoje nós estamos formalizando os convênios”, afirmou. “São mais de 60 municípios que aderiram e o que significa? Significa Governo Federal, Governo do Estado, municípios unidos para trazer cada vez mais dignidade no atendimento às mulheres, no caso voltado aqui especialmente para uma coisa muito importante, que é a redução da mortalidade materna.”
De acordo com o secretário estadual da Saúde, Alexandre Mota, a intervenção é necessária devido aos atuais indicadores de saúde da região. “Nós temos índices muito ruins ainda, digo, a região como um todo. Eu lembro quando a Leninha nos chamou para discutir o projeto, ela nos colocava que nós tínhamos índices africanos, né? Obviamente que essa frase pode ser preconceituosa, no sentido de que nem toda a África é assim, mas nós tínhamos índices muito ruins”, avaliou o secretário.
Mota apontou que os principais gargalos locais são o alto índice de partos prematuros, o número elevado de cesarianas e a baixa cobertura de exames pré-natais. “Então o projeto Bem-te-vi tem essa característica, ou seja, fomentar junto às prefeituras, junto aos secretários municipais a qualificação desse tipo de atendimento, garantindo que a mulher tenha um pré-natal adequado, possa conduzir seu parto da forma adequada e possa estar, à hora do seu parto, conduzida para o hospital adequado.”
O projeto conta com o suporte técnico e financeiro do Ministério da Saúde. O Hospital da Mulher, localizado em Mossoró, funcionará como a principal unidade de retaguarda para os casos de alta complexidade na região Oeste.
Para o superintendente do Ministério da Saúde no RN, Jalmir Simões, a articulação busca fortalecer as clínicas de bairro e as unidades básicas. “O Hospital da Mulher, hoje aqui na região do Oeste, está celebrando esse convênio com o MAD e os sete municípios. E é tudo parte da questão realmente da parceria entre o Ministério da Saúde, com o Governo do Estado e as prefeituras, através dos secretários municipais de saúde, para fortalecer a atenção primária”, explicou.
Simões também fez uma menção cultural ao nome escolhido para a ação. “O Bem-te-vi em si, nós que somos brasileiros, nordestinos aqui do Sertão, sabemos que sempre quando chega o Bem-te-vi cantando, com aquele canto maravilhoso, é trazendo boas notícias. E é essa a analogia que nós podemos fazer aqui com esse projeto.”
A reestruturação da rede materno-infantil em Mossoró também vai impactar o atendimento às crianças. Atualmente fragmentado, o serviço de pediatria passará por uma centralização com a construção de uma nova ala anexa à Maternidade Almeida Castro.
Segundo a diretora da maternidade, Larizza Queiroz, a mudança vai liberar espaço no Hospital da Mulher para a ampliação de leitos obstétricos. “A gente vai reunir todos os serviços de pediatria num ambiente só, porque hoje está fragmentado. Hoje a gente já tem a UTI NEO, temos a UTI pediátrica, só que a parte da urgência e os leitos clínicos ficaram no Hospital da Mulher”, detalhou.
A nova estrutura permitirá que urgências, emergências, internações e leitos clínicos fiquem concentrados em um único local, reduzindo a necessidade de transferência de pacientes para a capital do estado. “A gente quer evitar que essa criança vá a Natal fazer uma cirurgia que pode ser feita aqui. Que essa criança vá a Natal ser internada por um procedimento que pode ser feito aqui”, disse Queiroz.
A diretora afirmou que as obras do novo hospital infantil estão em fase de acabamento e instalações internas. Segundo ela, a viabilização da obra contou com recursos viabilizados pelo senador Styvensson Valentim (Podemos). “Tudo isso só foi possível porque o senador Styvensson Valentim nos oportunizou de a gente construir uma ala, um hospital novo, só para a parte infantil”, concluiu.