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EDUCAÇÃO
18/10/2026 18:21
Atualizado
18/10/2026 18:21

Da Caatinga à savana africana: cientistas brasileiros e africanos criam aliança científica por bioeconomia tropical

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Aliança científica entre pesquisadores do Rio Grande do Norte e da África Ocidental traça paralelo inédito entre espécies emblemáticas como a carnaúba, o babaçu e o karité. A publicação oferece subsídios técnicos para que indústrias, gestores públicos e agências de fomento criem novas cadeias de valor sustentável a partir de plantas medicinais, bambu e subprodutos agrícolas em regiões afetadas por crises climáticas.
Imagem 1 -  Aliança científica entre pesquisadores do Rio Grande do Norte e da África Ocidental traça paralelo inédito entre espécies emblemáticas como a carnaúba, o babaçu e o karité. A publicação oferece subsídios técnicos para que indústrias, gestores públicos e agências de fomento criem novas cadeias de valor sustentável a partir de plantas medicinais, bambu e subprodutos agrícolas em regiões afetadas por crises climáticas.
Aliança científica entre pesquisadores do Rio Grande do Norte e da África Ocidental traça paralelo inédito entre espécies emblemáticas como a carnaúba, o babaçu e o karité. A publicação oferece subsídios técnicos para que indústrias, gestores públicos e agências de fomento criem novas cadeias de valor sustentável a partir de plantas medicinais, bambu e subprodutos agrícolas em regiões afetadas por crises climáticas.
Foto: Assecom Ufersa

Em uma articulação voltada ao fortalecimento da cooperação Sul-Sul, pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) uniram forças com o Instituto de Pesquisa Florestal de Gana (FORIG) para mapear o potencial econômico e sustentável de recursos naturais que frequentemente passam despercebidos pelo mercado global. O resultado do intercâmbio científico é o lançamento de um livro focado no aproveitamento de produtos florestais não madeireiros (PFNMs) — como frutos, óleos, cascas e resinas —, traçando um paralelo inédito entre a biodiversidade do Nordeste brasileiro e das savanas do oeste africano.

A publicação, que reúne professores e estudantes da instituição potiguar, busca preencher uma lacuna comercial e científica ao analisar recursos tradicionalmente subutilizados pelas cadeias industriais. A análise confronta as realidades das duas regiões tropicais para identificar gargalos logísticos e regulatórios comuns, propondo a transição de um extrativismo rudimentar para uma bioeconomia integrada de alto valor agregado. 


Do Semiárido à Savana Africana

O ecossistema semiárido do Nordeste e a savana de Gana compartilham desafios climáticos severos e, ao mesmo tempo, abrigam espécies com alto potencial de exploração biotecnológica. O livro detalha a viabilidade técnica e comercial de plantas emblemáticas de ambos os lados do Atlântico: 

• No Brasil: O foco se concentra na exploração sustentável da carnaúba e do babaçu, espécies que já possuem cadeias econômicas tradicionais no Nordeste, mas que demandam modernização tecnológica para alcançar novos mercados. 

• Em Gana: Os pesquisadores avaliaram o potencial do karité — cuja manteiga extraída das sementes é amplamente disputada pela indústria de cosméticos mundial —, além da noz-de-cola e subprodutos derivados do cacau. 

• Pontes Globais: O estudo estende-se ainda para o uso do bambu e de uma vasta gama de plantas medicinais, com aplicações que vão desde a produção de biomateriais e bioenergia até insumos farmacêuticos. 

Desafios de Mercado e Sustentabilidade

A proposta central do volume é demonstrar que a manutenção da floresta em pé pode ser mais lucrativa do que a exploração madeireira tradicional ou a conversão de áreas nativas em pastagens. Contudo, os autores apontam que a consolidação dos PFNMs esbarra na falta de políticas públicas integradas e na complexidade de marcos regulatórios que organizem o setor sem sufocar as comunidades extrativistas locais.

A cooperação internacional estruturada entre a Ufersa e o instituto ganês pretende aproximar a produção acadêmica das indústrias de transformação. De acordo com o texto de divulgação, o livro foi desenhado para servir de subsídio técnico para gestores públicos, profissionais do setor privado e agências de fomento que buscam desenhar iniciativas de desenvolvimento socioeconômico ancoradas na conservação ambiental.

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