
O agravamento da temporada de estiagem no interior do Rio Grande do Norte fez disparar o número de incêndios florestais e de descarte de resíduos na região Oeste do estado. Entre os meses de julho e setembro, o Quartel do Corpo de Bombeiros de Mossoró atendeu a 221 ocorrências de incêndio em vegetação e lixões, o que representa uma pressão contínua sobre a capacidade operacional das equipes locais.
O balanço estatístico detalha uma escalada acelerada conforme o avanço do período seco. Em julho, a média registrada foi de um incêndio em vegetação ou lixão por dia. Esse índice subiu para 2,5 casos diários em agosto e atingiu o pico de 4 ocorrências a cada 24 horas em setembro. Diante da urgência do cenário e da necessidade prevista para a temporada de estiagem, o comando antecipou em julho as ações da Operação Abrace o Meio Ambiente (AMA), mobilizando o aporte de diárias operacionais e o remanejamento interno de efetivo para garantir equipes exclusivas voltadas ao combate de fogos florestais.
A infraestrutura do quartel de Mossoró opera sob regime de abrangência regionalizada, sendo responsável pela cobertura de segurança de outros sete municípios vizinhos: Tibau, Grossos, Areia Branca, Serra do Mel, Upanema, Governador Dix-Sept Rosado e Baraúna. Apesar da vasta extensão territorial que compete ao agrupamento, os relatórios técnicos apontam que a grande maioria dos incêndios se concentra no próprio município sede. O adensamento urbano somado a terrenos baldios sem manutenção adequada potencializa a incidência de queimas rápidas na área central e na periferia da cidade.
De acordo com o Soldado Lucas, comandante da 5ª Seção da 2ª Região do Corpo de Bombeiros, a principal causa dessas ocorrências permanece vinculada à conduta humana, sobretudo por meio do uso do fogo para limpeza rudimentar de lotes ou para a incineração de resíduos domésticos. "A orientação expressa é evitar colocar fogo na vegetação, em especial para a limpeza de terrenos e para extinguir lixo, além do cuidado com pontas de cigarro", destaca o militar, reforçando que fatores climáticos isolados não iniciam as chamas sem uma ignição inicial.
A corporação reitera que a prática de queimadas urbanas ou rurais sem autorização expressa dos órgãos reguladores caracteriza crime ambiental. A recomendação oficial determina que a população realize denúncias imediatas por meio do telefone 190 caso flagre indivíduos iniciando focos de incêndio em matas ou depósitos de lixo. O comando orienta ainda que, sempre que for seguro, as testemunhas realizem o registro das ações em formato de vídeo para subsidiar as investigações e o envio de provas materiais às autoridades competentes para a devida responsabilização penal.