
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou impedido de analisar um mandado de segurança que pede acesso a registros de entrada e saída da advogada Viviane Barci, sua esposa, e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Senado.
Na decisão, o ministro citou a regra do Código de Processo Civil (CPC) que proíbe um magistrado de analisar um caso quando há um parente como parte. "Com fundamento no art. 144, IV, do CPC, declaro-me impedido de atuar no presente feito", decidiu o ministro.
Com a decisão, o processo será encaminhado para o presidente do STF, Edson Fachin, que deverá determinar a escolha de um novo relator para o caso.
A ação foi protocolada pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo). O parlamentar quer obrigar o Senado a fornecer eventuais registros de entrada e saída de Viviane Barci, Vorcaro, do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas dependências da Casa.
Segundo o vereador, os pedidos de acesso aos dados foram negados pelo Senado por envolver "informações de caráter pessoal".
Entenda o caso
O pedido de informações sobre as entradas e saídas do Senado faz parte de uma investigação da Polícia Federal (PF) iniciada em setembro de 2026. A apuração foca em supostas relações comerciais e financeiras entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes (esposa do ministro) e empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A suspeita central é de que o escritório teria recebido vantagens, como o uso de jatos executivos pertencentes a Vorcaro, como forma de pagamento de honorários. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo de agosto de 2025 que mostrou o ministro Alexandre de Moraes desembarcando de uma dessas aeronaves.