
O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou na noite deste domingo (25) que não vai reconhecer o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
. Apoiado em uma contestação jurídica sobre a dinâmica da votação, o parlamentar afirmou que acionará o partido para pedir a anulação do pleito.
A manifestação de Flávio ocorreu poucas horas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidar a vitória de Lula. Com 99,9% das urnas apuradas, o petista contabilizou mais de 64 milhões de votos, abrindo uma vantagem superior a 4,4 milhões de sufrágios em relação ao adversário. Lula iniciará o seu quarto mandato presidencial em 5 de janeiro de 2027.
O questionamento do candidato derrotado baseia-se na decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação por duas horas. A medida de urgência atendeu a uma solicitação protocolada por ambas as campanhas — incluindo a do próprio Flávio Bolsonaro, que relatavam graves dificuldades e atrasos no transporte de eleitores na Bahia e na capital paulista.
Apesar de a sua equipe jurídica ter endossado a necessidade de estender o prazo, o senador criticou duramente a aplicação da decisão na frente do seu comitê central em Brasília. Ele sustentou que a extensão gerou uma quebra de isonomia regional, argumentando que a reabertura ou continuidade dos trabalhos não ocorreu de forma uniforme em todas as zonas eleitorais do país. O senador retirou-se sem responder a perguntas.
Reação institucional
Para assegurar a normalidade democrática, o presidente do STF, Edson Fachin, declarou publicamente que a vontade popular expressa nas urnas deve ser respeitada e que eventuais divergências devem se manter dentro dos limites constitucionais.
No âmbito do TSE, o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, telefonou para ambos os candidatos após a conclusão da apuração. Ele parabenizou Lula, ressaltando sua trajetória democrática, e ligou para Flávio Bolsonaro para reconhecer a expressiva votação obtida pelo senador em sua primeira disputa presidencial. Operacionalmente, o TSE orientou os Tribunais Regionais Eleitorais a manterem abertas apenas as seções que operavam no momento da liminar, computando normalmente os votos anteriores.