
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresenta oficialmente, nesta quinta-feira (23), às 17h, em Brasília, o relatório final sobre a queda do avião da Voepass. O desastre com a aeronave ATR 72-500, ocorrido em 9 de agosto de 2024 no município de Vinhedo (SP), resultou na morte de todas as 62 pessoas a bordo.
A apresentação será conduzida pelo chefe do órgão, Brigadeiro do Ar Alexandre Avellar Leal, ao lado da equipe de investigadores responsáveis pelo caso. O documento consolida a análise integral dos dados extraídos dos dois gravadores de voo, conhecidos como caixas-pretas: o de voz da cabine e o de dados factuais de voo. Ambos os dispositivos foram processados com sucesso pelo laboratório do Cenipa.
Entre as vítimas da tragédia estavam dois moradores do Rio Grande do Norte que viajavam a trabalho. O representante comercial Thiago Almeida Paula, morador de Mossoró, e o também representante Constantino Thé Maia, que residia em Natal, estão entre os passageiros que perderam a vida no acidente e que agora têm suas trajetórias lembradas na conclusão do caso.
A apuração técnica arrastou-se por quase dois anos e atingiu a conformidade final após passar por uma fase de revisão internacional. Seguindo os protocolos da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), o relatório foi submetido e validado por órgãos credenciados da França, país fabricante do modelo ATR, e do Canadá, responsável pela fabricação dos motores.
O trabalho minucioso de investigação abrangeu o mapeamento meteorológico detalhado do dia do sinistro e testes laboratoriais nos sistemas de proteção contra gelo. Os técnicos também realizaram a reconstrução da trajetória e velocidade do voo, além da análise dos áudios da cabine e da avaliação de mais de 15 mil horas de voo do histórico da frota.
O Cenipa reitera que o relatório final busca exclusivamente determinar os fatores contribuintes do acidente para emitir Recomendações de Segurança Operacional (RSO). O documento técnico possui propósito puramente preventivo, sem caráter punitivo ou atribuição de culpa jurídica. As investigações para fins de responsabilização criminal seguem conduzidas, de forma paralela, pela Polícia Federal.