21 JUL 2026 | ATUALIZADO 21:26
ECONOMIA
Por: Ayrton Silva
20/07/2026 21:26
Atualizado
20/07/2026 21:26

Nova barreira dos EUA ameaça polo salineiro do RN e setor busca isenção

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A nova barreira alfandegária dos Estados Unidos lançou o setor salineiro do Rio Grande do Norte em um cenário de forte incerteza jurídica. Responsável por quase a totalidade do sal marinho brasileiro, o estado vê suas vendas externas despencarem. Diante do prejuízo iminente de 550 mil toneladas anuais, indústrias potiguares se articulam com a FIERN e a CNI para tentar incluir o produto na lista de isenções de Washington.
Imagem 1 -  A nova barreira alfandegária dos Estados Unidos lançou o setor salineiro do Rio Grande do Norte em um cenário de forte incerteza jurídica. Responsável por quase a totalidade do sal marinho brasileiro, o estado vê suas vendas externas despencarem. Diante do prejuízo iminente de 550 mil toneladas anuais, indústrias potiguares se articulam com a FIERN e a CNI para tentar incluir o produto na lista de isenções de Washington.
A nova barreira alfandegária dos Estados Unidos lançou o setor salineiro do Rio Grande do Norte em um cenário de forte incerteza jurídica. Responsável por quase a totalidade do sal marinho brasileiro, o estado vê suas vendas externas despencarem. Diante do prejuízo iminente de 550 mil toneladas anuais, indústrias potiguares se articulam com a FIERN e a CNI para tentar incluir o produto na lista de isenções de Washington.
Foto: Cezar Alves

Uma nova barreira econômica imposta pelo governo dos Estados Unidos lançou a indústria salineira do Rio Grande do Norte em uma crise profunda. O estado, que concentrar 95% de toda a produção do sal marinho brasileiro, enfrenta dificuldades para escoar a mercadoria devido à consolidação de medidas protecionistas em Washington, baseadas na legislação comercial americana.

O entrave econômico se arrasta desde o ano passado, quando a Casa Branca fixou uma alíquota de 50% sobre o produto potiguar. Embora a Suprema Corte dos Estados Unidos tenha chegado a derrubar a taxação sob o argumento de que houve excesso de poder por parte do Executivo, o alívio para os produtores locais durou pouco. A constante ameaça de que novas sanções seriam aplicadas sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA manteve o mercado internacional sob forte desconfiança.

A confirmação de um novo tarifaço nas últimas semanas interrompeu de vez os planos de recuperação do setor produtivo no Nordeste. De acordo com o Airton Torres, especialista e representante do setor industrial salineiro do estado, o impacto prático vai muito além do valor cobrado nas alfândegas.

"O ambiente é de incerteza e finalmente veio agora a instituição desse tarifaço, resultado das ameaças que já haviam sido feitas. O prejuízo continua existindo. As exportações que se fazem são apenas aquelas que são pontuais, específicas em dados momentos, sem nenhum espaço para celebração de contratos de fornecimento de média e de longo prazo", explica Torres.

Bloqueio comercial

Sem conseguir restabelecer os patamares de cooperação anteriores à ofensiva tarifária de 2025, os empresários potiguares agora tentam costurar uma reação institucional. O temor das empresas é que o sal refinado e grosso brasileiro perca competitividade para competidores da América Central e da própria indústria interna dos EUA, inviabilizando o planejamento de investimentos futuros no Semiárido potiguar.

Como alternativa ao bloqueio imposto por Washington, representantes do segmento deram início a uma articulação política para tentar livrar o produto das restrições fiscais. A intenção é usar o peso político das confederações empresariais para abrir um canal de diálogo direto com as autoridades comerciais dos Estados Unidos.

"Nesse momento, nós estamos iniciando os contatos com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e a Federação certamente vai trabalhar junto à CNI (Confederação Nacional da Indústria) para que o nosso produto, o sal brasileiro, possa ser incluído na lista das isenções", conclui o especialista.


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