Fé, devoção e busca por milagres. Esses são alguns dos motivos que inspiram turistas a visitar o Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, na Serra do Lima, no município de Patu (RN), na região do alto oeste do Estado, que possuí cerca de 11 mil habitantes. O lugar, cercado pelo verde proporcionado pelo rigoroso período chuvoso, é um espaço de paz e de prática de esportes como trilha, rapel, salto de paraquedas e asa-delta.
Construída em 1758 pelo coronel Antônio Moreira Lima e por sua esposa, Paula Moreira, a estrutura fica a 699 metros de altitude, em uma área de 8 km². “O casal construiu uma capela no alto da serra e, depois de 30 anos, a doou à Igreja Católica. A partir daí começaram as peregrinações e as romarias, onde as pessoas fazem promessas”, relata o padre Telmo, responsável pelo local.
Os arquivos históricos dão conta de que o coronel, proprietário das terras, havia saído para caçar e se perdido. Conforme o tempo passava e ele não conseguia encontrar o caminho de volta, teria feito uma promessa a Nossa Senhora dos Impossíveis: caso conseguisse sair vivo da floresta, ergueria uma capela em sua homenagem.
Da capela original, o espaço se transformou em um amplo santuário após a chegada dos Missionários da Sagrada Família, em 2 de fevereiro de 1921. “Após esse período, as coisas foram ganhando forma. Essa estrutura atual foi erguida por volta da década de 1960”, conta o padre Telmo.
O formato arquitetônico foi inspirado na corrida espacial da época, que projetou a estrutura principal do santuário com a forma sutil de um foguete. O cone e as linhas verticais da igreja representam a ascensão dos homens ao céu através da fé. A obra foi oficialmente concluída em 1969, e o túmulo do padre Henrique, que idealizou o projeto, fica localizado dentro do complexo.
Atualmente, o local recebe cerca de 100 mil pessoas por ano por meio das cinco romarias realizadas: a dos Vaqueiros, no mês de março; a dos Coroinhas, em 1º de abril; a da Família, em 15 de agosto; a da Legião de Maria, em 7 de setembro; e, por fim, a da Juventude, realizada em outubro.
Em julho de 2025, o complexo do Lima foi oficialmente declarado por lei como Patrimônio Imaterial, Histórico, Cultural, Paisagístico, Turístico e Religioso do Rio Grande do Norte.
O santuário conta com uma Sala dos Milagres, onde fiéis deixam ex-votos. “É uma sala especial. As pessoas, ao alcançarem uma graça, trazem objetos semelhantes para deixar aqui como uma forma de gratidão”, diz o religioso. O local também dispõe do monumento da Via Sacra no percurso da ladeira. A obra possui 14 estações com 33 esculturas que retratam a Paixão de Cristo ao longo da subida da serra.
Um dos grandes desafios para manter o local esbarra na preservação da natureza. “É um local muito bonito, mas a preservação deixa muito a desejar. Temos problemas com lixo, queimadas e caça ilegal. A gente corre para lá e para cá, mas ainda há muito a se fazer”, desabafa o reitor.
Além dos atrativos turísticos, a Serra do Lima é considerada o terceiro melhor lugar do Brasil para saltos de voo livre, atraindo milhares de pessoas para se aventurar na região, que também conta com bicas, poços e uma barragem.
“Moro aqui há sete anos, mas a cada dia descubro coisas novas: uma bica, uma gruta diferente, uma trilha. É um lugar muito grande, que ainda precisa ser muito preservado e explorado com todo o cuidado necessário”, finaliza.
O local é aberto todos os dias para visitação. Ao longo da semana são realizadas sete missas, sendo quatro delas no domingo: às 7h, às 9h, às 11h e às 17h. Durante os dias úteis, há celebração na quarta-feira, às 19h, e no sábado, às 9h.