A governadora Fátima Bezerra admitiu, em Carta, que não conseguiu votos suficientes entre os 23 deputados estaduais para eleger, numa eleição indireta, um nome de sua escolha para ficar no cargo de govenador do Rio Grande do Norte neste final de 2026, para que ela pudesse se candidatar uma cadeira no Senado Federal, seguindo, assim, o desejo do presidente Lula.
O anúncio foi feito nesta terça-feira, 17, em Natal. Ao lado das lideranças do Partido dos Trabalhadores, Fátima Bezerra apontou avanços no Rio Grande do Norte nas áreas de segurança, educação e saúde, estradas e também recursos hídricos. Cita que quando assumiu o governo encontrou o funcionalismo com 4 meses de salários atrasados.
O desejo da governadora Fátima Bezerra era renunciar ao cargo no início de agosta e deixar o vice-governador Walter Alves no posto. Com isto, atenderia as exigências da Legislação Eleitoral para ela sair candidata a senadora da república, cargo que esteve de 2015 a 2018, quando saiu, exatamente, para assumir o governo do Estado.
Ocorre que o vice-governador Walter Alves rompeu com o governo e afirmou que não assumiria, pois também quer sair candidato. Inclusive já anunciou apoio ao projeto do prefeito Allyson Bezerra, de Mossoró, na corrida pelo Governo do Estado, diferente do nome da governadora escolheu para sucede-la no posto de governadora: Cadu Xavier.
Com a decisão de não renunciar, Fátima Bezerra a partir de janeiro de 2027 não terá cargo eletivo. Deve definir um nome do PT para concorrer a uma cadeira no senado ou escolher de um partido aliado. Neste ponto, o ex-senador Jean Paul Prates, leal aos ideais da governadora Fátima, surge como uma ótima opção. Ele já esteve no posto de 2019 a 2022.
A Carta da Governadora
A Coragem sempre me acompanhou, desde quando migrei da Paraíba para estudar, até quando renunciei a reeleições, sem falsa modéstia, asseguradas para me lançar a desafios até então impossíveis para alguém de sobrenome comum e do povo. Nunca tive medo da disputa eleitoral pois sempre me coloquei a serviço de um projeto maior de nação e de sociedade, que é maior que minha própria vida.
Coragem para disputar o Senado, em 2014, colocado em xeque a única cadeira que o PT do RN tinha no Congresso Nacional. Coragem para renunciar à metade do mandato de senadora, em 2018, para disputar o Governo do Estado e assumi-lo em situação critica e precária. Houve quem dissesse que eu não duraria um semestre na cadeira de governadora.
Agora, tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no senado federal a partir de 2027, com ofensiva da extrema-direita contra a democracia – para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas.
O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público. Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isto trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora.
Não há cargo no senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte.
O mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato. A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar e garantir a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras de transposição do Rio são Francisco. Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas.
Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas. Esse foi o Estado que herdamos e para o qual não temos o direito de retroceder. O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada.
Hoje, no RN, temos o dobro de escolas em tempo integral e profissionalizantes, inclusive uma rede de novos IERNS – o IF potiguar; temos saúde em todas as regiões do Estado, dispensando os deslocamentos para Natal para exames e cirurgias; temos novas delegacias da mulher, mulheres sem barreiras para entrar na PM, patrulha Maria da Penha, ampliada e um combate firme ao feminicídio.
Temos outro estado, meu querido povo potiguar, e eu tenho o amor imenso por essa terra, por nossa gente, por cada cantinho desse Rio Grande que passou a ter Norte, esperança e um futuro promissor. Esse amor me fez ficar, nunca decisão que não é pequena e nem qualquer. Não ter vaidade nos ajuda a ter sobriedade mesmo frente às injustiças.
Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado.
Um movimento articulado para tirar o PT do Senado. Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta politica e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no Senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e, com Luis Inácio Lula da Silva presidente!