O Tribunal do Júri Popular, de Mossoró-RN, decidiu por condenar Diego de Souza Pontes, conhecido por Diego Tardeli, de 31 anos, pelo duplo assassinato, ambos qualificados, que teve como vítimas Fernanda Alice de Freitas Viana, de 16 anos, e Valéria Guedes de Freitas, de 38 anos, em júri realizado nesta quarta-feira, 29, no Fórum Municipal de Mossoró.
Tardeli foi sentenciado a mais 44 anos de prisão em regime fechado, condição que já se encontra cumprindo sentença por tráfico de drogas e homicídio, que teve como vítima Francisco Ferreira Viana, o Chiquinho, marido de Valéria. Ele também foi condenado por outro homicídio, porém o Tribunal de Justiça anulou e deve ser julgamento novamente em maio.
No júri desta quarta-feira, 29, o Conselho de Sentença aceitou a tese do Ministério Público Estadual, representado pelo promotor Italo Moreira Martins, de duplo homicídio qualificados, por ter sido por vingança. Tardely teria mando matar Valéria e as filhas dela por elas terem dito na Justiça que ele matou Chiquinho e Antônio Cortez Sobrinho, de 32 anos.
Dona de casa e a filha foram mortas a tiros no bairro Barrocas
Este crime aconteceu no dia 2 de fevereiro de 2018, por volta das 19h30, na Rua Anatália de Melo Alves, no bairro Paredões, em Mossoró-RN. O assassinato da dona de casa e da filha teria sido encomendado pelo réu Diego Tardely, que mesmo preso, a época, teria contratado o pistoleiro José Neto de Oliveira Cortez, o Galego, por R$ 15 mil reais.
No dia do crime, o pistoleiro Galego teria ido com um comparsa numa moto. Ele desceu do veículo, tirou um bebê dos braços de Fernanda Alice e atirou na cabeça dela. Em seguida, saiu procurando Valéria Guedes, tendo a encontrado no banheiro. Ele efetuou vários disparos e acreditava que estivesse morta. Ainda no local, ela revelou o nome do atirador as testemunhas.
Fernanda Alice morreu no local. Valéria chegou a ser socorrida para o Hospital Regional Tarcísio Maia, mas não resistiu aos ferimentos. Ainda segundo apurou a polícia civil, outra filha de Valéria e Chiquinho também seria alvo do pistoleiro contratado por Tardely, que não a encontrou no dia do ataque na Rua Anatália de Melo Alves, no bairro Paredões.
Diego Tardely teria mando Galego matar Valéria e Fernanda porque as duas teriam prestado depoimento à Justiça, apontando-o como autor do assassinato de Francisco Ferreira Viana, o Chiquinho, esposa de Valéria, assassinado no mesmo local no dia 16 de janeiro de 2016. Neste mesmo local também foi assassinato Antônio Cortez Sobrinho, de 32 anos.
Pelo assassinato de Chiquinho, Tardeli foi condenado a 20 anos de prisão.
O júri do caso Valeria e a filha Fernanda
O Julgamento começou às 9h, sob a presidência do juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros, com o sorteio dos sete jurados, no Salão do Tribunal do Júri Popular. Além de Tardely, quem também responde este processo é José Neto de Oliveira Cortez, o Galego, porém este não compareceu, porque conseguiu desmembrar o processo para ser julgado em outra ocasião.
Em seguida, está previsto a oitiva das testemunhas e do réu Diego Tardely no plenário. Em seu depoimento, Diego Tardely disse que não tinha motivo para matar Valéria e Fernanda. Reconheceu que era condenado por Matar Chiquinho e tinha outra condenação por homicídio (júri anulado) e outra condenação por tráfico de drogas.
Em sua defesa, o réu invocou trechos da bíblia, alegando que era inocente.
Escalado pelo Ministério Público Estadual, o promotor Italo Moreira Martins expos as provas do processo aos jurados e pediu a condenação do réu por duplo homicídio qualificado, mostrando, com detalhes, que o crime foi pratico por vingança.
A advogadas Adriele Ariamy Leite Dutra, Alyne Monique Barbosa Pinheiro e Laysa Raquel de Sousa Fontes, em defesa do réu Diego Tardely pediram absolvição, enfatizando que não havia provas no processo suficientes para condena-lo.
Ao final dos debates, o juiz Vagnos Kelly convocou os sete jurados a sala secreta, onde votaram pela condenação do réu Diego Tardely. Com a decisão, o juiz encerrou a sessão anunciando a sentença de 44 anos de prisão do réu e decretou a prisão preventiva.
A sentença de 44 anos será somada com as condenações que o réu já tem. Diego Tardely deve voltar ao banco dos réus no próximo mês, para, novamente, responder por homicídio.