A Anistia Internacional emitiu na tarde desta quarta-feira (23) um relatório com informações detalhadas dos ataques aéreos da Rússia contra possíveis alvos do Estado Islâmico (EI) na Síria. De acordo com o documento, os ataques causaram destruição maciça em áreas residenciais e cerca de 200 civis foram mortos.
O grupo de defesa dos direitos humanos afirma que o padrão desses ataques "mostra evidências de violações dos direitos internacionais".
A Rússia participa de uma campanha militar em apoio ao presidente sírio Bachar al Asad desde setembro. Moscou disse que suas operações estão direcionadas para derrotar "alvos terroristas".
Os Estados Unidos têm afirmado constantemente que os ataques aéreos russos estão direcionados às forças de oposição síria e não aos alvos do EI. A oposição tem tomado o controle de grande parte do país.
O relatório da Anistia se refere a seis ataques que aconteceram nas cidades sírias de Homs, Idlib e Alepo entre setembro e novembro deste ano, e que teriam acarretadado a morte de pelo menos 200 civis e cerca de uma dúzia de combatentes rebeldes sírios.
Testemunhas oculares
A Anistia Internacional diz que seu relatório é baseado em entrevistas com testemunhas e sobreviventes dos ataques. O grupo explicou que também examinou vídeos e imagens que supostamente mostram os ataques, com o apoio da opinião de "especialistas em armas".
Devido a dificuldade de obter informações exatas sobre o campo de batalha, a Anistia explica como determinou que os ataques eram russos e não de outros países que realizaram ataques na Síria. Declarações do Ministério de Relações Exteriores da Rússia sobre ataqus a alvos "terroristas" foram comparados com dados de campo de testemunhas e ativistas locais.
Sobre a base de suas análises, a Anistia concluiu que não havia "alvos militares ou combatentes nas imediações" das regiões atacadas. "Isto sugere que os ataques podem ter violado o direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra, em algumas circinstâncias", disse o relatório.
Um um dos ataques aéreos, a Anistia Internacional encontrou cinco civis mortos e uma dezena de casas foram destruídas, por isso suspeita-se que era um ataque de míssil de cruzeiro lançado de um navio russo. O bombardeio atingiu edifícios residenciais em Darat Izza, em 7 de outubro.
"Foi muito diferente de outros ataques aéreos... A terra tremeu como um terremoto... foi a mais destrutiva que ele tinha visto... Uma mãe e seus dois filhos morreram em uma casa e um jovem casal em outro. O casal se casou com uma semana antes do ataque", disse a Anistia, citando uma testemunha local.
O grupo de direitos humanos também alegou que a Rússia tentou encobrir um ataque que atingiu uma mesquita em Idlib em outubro, chamando relatórios sobre o bombardeio de um "engano".