15 JAN 2026 | ATUALIZADO 22:11
POLÍTICA
Por Jean Paul Prates, ex-senador e ex-presidente da Petrobras
15/01/2026 19:26
Atualizado
15/01/2026 19:27

[OPINIÃO] Governar o Rio Grande do Norte não é brincadeira

"A meu ver, neste momento crítico, a prioridade do PT, que foi quem recebeu o mandato popular para governar o estado, deveria ser a busca de um nome com experiência, equilíbrio e respeito entre diferentes correntes políticas, capaz de conduzir o Estado com estabilidade e foco na gestão. Isso não é virtude extraordinária nem sacrifício. É o mínimo que se espera do campo progressista unido neste momento", escreveu Jean Paul Prates. Quer ver mais? acesse a COLUNA OPINIÃO
"A meu ver, neste momento crítico, a prioridade do PT, que foi quem recebeu o mandato popular para governar o estado, deveria ser a busca de um nome com experiência, equilíbrio e respeito entre diferentes correntes políticas, capaz de conduzir o Estado com estabilidade e foco na gestão. Isso não é virtude extraordinária nem sacrifício. É o mínimo que se espera do campo progressista unido neste momento", escreveu Jean Paul Prates. Quer ver mais? acesse a COLUNA OPINIÃO
Ilustração do IA

Por Jean Paul Prates

O debate recente sobre a sucessão no Governo do Rio Grande do Norte revela algo mais grave do que divergências políticas naturais: um preocupante uso circunstancial e eleitoreiro da função pública do cargo de Governador num eventual mandato-tampão.

A decisão do Vice-Governador Walter Alves, no sentido de não assumir o cargo, terá sido precedida por avaliações diversas ao longo do período, refletindo as complexidades políticas, eleitorais e fiscais do momento. Indefinições legítimas do ponto de vista pessoal e político, mas que acabam por repercutir no ambiente institucional e reforçam a necessidade de clareza e responsabilidade no debate público, por parte de todos nós.

Por sua vez, o Presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, sempre afirmou de forma consistente que buscaria a reeleição ou outro posto para o qual seu partido e a opinião pública eventualmente o conduzissem.

Então é preciso desde logo desmontar uma narrativa falsa que vem sendo deliberadamente construída. Não é verdade que ninguém queira governar o Rio Grande do Norte. Há, sim, e haverá ainda mais, muita disputa política em torno do cargo. O que também existe são as escolhas pessoais legítimas de quem prefere priorizar a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Transformar essas decisões individuais em prova de uma suposta ingovernabilidade do Estado é criar um factoide eleitoreiro, útil apenas para antecipar o clima de campanha e desqualificar, artificialmente, o próprio mandato tampão.

É importante ainda situar corretamente o tempo em debate. Não se trata de um mandato simbólico ou irrelevante. Considerando as desincompatibilizações em 4 de abril e o prazo legal para realização de nova eleição indireta, a eventual posse ocorreria em torno de 4 de maio. Estamos falando, portanto, de aproximadamente oito meses de governo efetivo, e não de um intervalo desprezível.

O problema se configura quando esse período passa a ser tratado como mera peça tática. Surgem agora especulações de nomes não com o objetivo de governar, mas de provocar disputas, desgastar adversários e produzir narrativas eleitorais. Chega-se ao ponto de se lançarem factoides de ocupação do cargo como se o Governo do Estado fosse uma espécie de provocação de veraneio ou um instrumento de agressão política.

Oito meses fazem diferença. Impactam o orçamento, a execução de políticas públicas, a relação com fornecedores, a continuidade de serviços essenciais e a vida cotidiana da população. Desqualificar ou instrumentalizar esse período com objetivos meramente eleitoreiros é ignorar a realidade do Estado e desprezar quem depende do funcionamento regular da máquina pública.

A meu ver, neste momento crítico, a prioridade do PT, que foi quem recebeu o mandato popular para governar o estado, deveria ser a busca de um nome com experiência, equilíbrio e respeito entre diferentes correntes políticas, capaz de conduzir o Estado com estabilidade e foco na gestão. Isso não é virtude extraordinária nem sacrifício. É o mínimo que se espera do campo progressista unido neste momento.

À oposição restará apenas a tentativa de antecipar caricataturalmente a guerra eleitoral, transformando o mandato tampão em trincheira política e ensaio geral da campanha.

Mas as pessoas sabem que o cargo de Governador não é instrumento de revanche política, nem palco de improviso ou espetáculo. O mandato atual foi fruto da vontade popular, e exige seriedade, sobriedade e compromisso até seu último dia.

O Rio Grande do Norte merece respeito. Governar nunca foi brincadeira.

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