A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou a fiscalização de motocicletas nas rodovias federais do Rio Grande do Norte, baseando-se em indicadores que colocam o veículo no centro das crises de segurança pública e saúde no estado. A ofensiva busca frear o avanço da violência no trânsito e nos índices de criminalidade urbana.
A decisão é amparada por dados do Detran-RN, que revelam um cenário de profundo despreparo técnico entre os condutores potiguares. Segundo o órgão, 48,2% dos proprietários de motos no estado não possuem habilitação na categoria A. Na prática, quase metade da frota circula sob responsabilidade de condutores sem formação oficial, o que eleva a incidência de comportamentos de risco, como manobras perigosas e o uso de telemóvel ao volante.
O impacto desse cenário reflete-se diretamente nos índices de criminalidade, uma vez que as motocicletas representam 63% dos veículos roubados e 71% dos furtos registrados em solo norte-rio-grandense. A facilidade de fuga e a alta rotatividade desses veículos os tornam ferramentas preferenciais para atividades ilícitas.
No interior do estado, o panorama é ainda mais crítico para o sistema de saúde. Na área de atuação da 4ª Delegacia da PRF, que abrange as regiões de Mossoró e Pau dos Ferros, os motociclistas concentram 70% das mortes e mais de 80% dos sinistros graves. O perfil das vítimas é específico: majoritariamente homens entre 20 e 39 anos, que representam 80% dos óbitos no trânsito local.
Para justificar o aumento do policiamento ostensivo, a PRF utiliza evidências científicas de instituições renomadas, como a Fundação Getulio Vargas (FGV). Um estudo da entidade comprovou, por métodos estatísticos, que o aumento de rondas e da fiscalização de veículos é causa direta da redução de acidentes graves nas rodovias.
Complementarmente, dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) estimam que a presença policial inteligente gera uma redução de até 12% nos sinistros em áreas críticas. Diante dos números apresentados, a corporação reforça que a fiscalização atua como uma ferramenta estratégica de proteção à vida e enfrentamento ao crime, e não apenas como uma medida punitiva aos condutores.