24 JAN 2026 | ATUALIZADO 20:32
ESTADO
Cezar Alves
24/01/2026 20:23
Atualizado
24/01/2026 20:31

Produtores festejam chegada da água de Santa Cruz a São João da Varzea

Ficaram sem água para plantar forragens para seus rebanhos, bem como frutas e verduras em setembro do ano passado. Na época, a Barragem de Lagoa de Paus, parou de verter, deixando leito do rio totalmente seco na região de São João da Várzea, que não tem como perfurar poços. Com a chegada da água de Santa Cruz, já projetam retomar os plantios.
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Foto: Pedro Cezar

A barragem de Lagoa de Pau voltou a verter, cinco meses após parar de sangrar, perenizando o rio Apodi-Mossoró, na região de São João da Varzea.

Neste intervalo, produtores de São João da Várzea, que fica abaixo, perderam suas plantações de frutas, forragens e verduras e tiveram dificuldades para alimentar seus rebanhos.

O rio secou por que o poço feio (olho d’água natural existente na comunidade de Arapuá, em Governador Dix Sept Rosado-RN) reduziu o volume de água despejado no leio do rio.

 Entre os moradores da região de Governador Dix Sept Rosado, Caraúbas e Felipe Guerra, comenta-se que o olho d’água natural (poço feio) baixou devido a enorme quantidade de água sendo retirada do subsolo para grandes plantios de melão e melancia na região.

Até então, muitos dos agricultores de Lagoa de Paus e São João da Varzea, acreditavam que a água que mantinha o rio perene vinha da Barragem de Santa Cruz, de Apodi. Entretanto, a água liberada pelas Comportas de Santa Cruz, nunca passou de Felipe Guerra-RN.

Cobrindo o protesto dos moradores de São João da Varzea, nos meses de setembro e outubro de 2025, a reportagem do MOSSORÓ HOJE terminou descobrindo este fato.

Os moradores da comunidade de Maxixe, que fica entre Felipe Guerra e Governador, revelaram a reportagem do MH que a água da barragem de Santa Cruz nunca chegou para eles.

Contam que quando passa o inverno, vendem seus rebanhos e não tem como produzir na margem do rio. Alguns, inclusive, não suportaram esta condição e foram embora.

Com a cobrança dos moradores de São João da Varzea e Lagoa de Paus, o governo do Estado mandou ampliar a vazão das comportas da Barragem de Santa Cruz, em Apodi.

O objetivo era garantir que água chegasse para o Maxice, Governador Dix Sept Rosado e também em Mossoró, na região de São João da Varzea, que não dá pra perfurar poço.

A vazão era 1.300 litros por segundo e passou para 2.200 litros pro segundo, o que segundo o presidente do IGARN, Procópio Lucena, era água suficiente para perenizar o rio até Mossoró.

Esta água começou a ser lançada no rio no dia 3 de outubro. Avançou para Apodi, passou por Felipe Guerra e chegou, em abundância, para os moradores de Maxice.

Devido ao fato de toda a região entre Felipe Guerra e Governador está totalmente seco, além de ser um terreno arenoso, a água só chegou à Lagoa de Paus no início de 2026.

A Barragem voltou a sangrar água para São João da Varzea e os agricultores já estão iniciando o replantio de forragens e verduras. Eles festejam a chegada da água e torcem por um bom inverno neste ano de 2026, para reabastecer a Barragem de Santa Cruz.

O pecuarista Félix Nogueira disse que agora está mais tranquilo e que espera por um bom inverno, para reabastecer os reservatórios. Ele cria gado na região de Lagoa de Paus.

Seu Antônio Medeiros está pouco otimista. Ele viu a água chegar, reabastecer o rio, mas disse que os prejuízos que tiveram foram grandes e não tem esperança de voltar a produzir.

Sobre o inverno, Seu Antônio Medeiros disse que este ano as experiências apontam que não terá bom inverno. Ele espera que seja suficiente para segurar o rebanho.


Já o agricultor Manoel Antônio festeja a chegada da água e está confiante que de agora em diante vai poder plantar capim e alimentar as ovelhas, a vaca e também as galinhas.

O criador Eduardo Rêgo, que também tem um frigorífico todo certificado para carnes de ovinos, espera que o Governo do Estado seja mais responsável com seus atos.

Rêgo está fazendo referência a liberação de água nas comportas da Barragem de Santa Cruz em quantidade para chegar a quem realmente precisa ao longo do rio.

Produtor de alface desistiu da fazenda de alface


Entre os produtores, um desistiu de plantar na região. Rodrigo Benjamim tinha  2 hectares de hortas de alface sendo produzido sem agrotóxico para abastecer os supermercados de Mossoró, quando a água começou a baixar e por este fato ficou salgada, inviabilizando a produção por completo. Em função do prejuízo e a insegurança hídrica, disse que não tem como retornar à produção. Esta imagem mostrada acima, já não existe mais.


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