A barragem de Lagoa de Pau voltou a verter, cinco meses após parar de sangrar, perenizando o rio Apodi-Mossoró, na região de São João da Varzea.
Neste intervalo, produtores de São João da Várzea, que fica abaixo, perderam suas plantações de frutas, forragens e verduras e tiveram dificuldades para alimentar seus rebanhos.
O rio secou por que o poço feio (olho d’água natural existente na comunidade de Arapuá, em Governador Dix Sept Rosado-RN) reduziu o volume de água despejado no leio do rio.
Entre os moradores da região de Governador Dix Sept Rosado, Caraúbas e Felipe Guerra, comenta-se que o olho d’água natural (poço feio) baixou devido a enorme quantidade de água sendo retirada do subsolo para grandes plantios de melão e melancia na região.
Até então, muitos dos agricultores de Lagoa de Paus e São João da Varzea, acreditavam que a água que mantinha o rio perene vinha da Barragem de Santa Cruz, de Apodi. Entretanto, a água liberada pelas Comportas de Santa Cruz, nunca passou de Felipe Guerra-RN.
Cobrindo o protesto dos moradores de São João da Varzea, nos meses de setembro e outubro de 2025, a reportagem do MOSSORÓ HOJE terminou descobrindo este fato.
Os moradores da comunidade de Maxixe, que fica entre Felipe Guerra e Governador, revelaram a reportagem do MH que a água da barragem de Santa Cruz nunca chegou para eles.
Contam que quando passa o inverno, vendem seus rebanhos e não tem como produzir na margem do rio. Alguns, inclusive, não suportaram esta condição e foram embora.
Com a cobrança dos moradores de São João da Varzea e Lagoa de Paus, o governo do Estado mandou ampliar a vazão das comportas da Barragem de Santa Cruz, em Apodi.
O objetivo era garantir que água chegasse para o Maxice, Governador Dix Sept Rosado e também em Mossoró, na região de São João da Varzea, que não dá pra perfurar poço.
A vazão era 1.300 litros por segundo e passou para 2.200 litros pro segundo, o que segundo o presidente do IGARN, Procópio Lucena, era água suficiente para perenizar o rio até Mossoró.
Esta água começou a ser lançada no rio no dia 3 de outubro. Avançou para Apodi, passou por Felipe Guerra e chegou, em abundância, para os moradores de Maxice.
Devido ao fato de toda a região entre Felipe Guerra e Governador está totalmente seco, além de ser um terreno arenoso, a água só chegou à Lagoa de Paus no início de 2026.
A Barragem voltou a sangrar água para São João da Varzea e os agricultores já estão iniciando o replantio de forragens e verduras. Eles festejam a chegada da água e torcem por um bom inverno neste ano de 2026, para reabastecer a Barragem de Santa Cruz.
O pecuarista Félix Nogueira disse que agora está mais tranquilo e que espera por um bom inverno, para reabastecer os reservatórios. Ele cria gado na região de Lagoa de Paus.
Seu Antônio Medeiros está pouco otimista. Ele viu a água chegar, reabastecer o rio, mas disse que os prejuízos que tiveram foram grandes e não tem esperança de voltar a produzir.
Sobre o inverno, Seu Antônio Medeiros disse que este ano as experiências apontam que não terá bom inverno. Ele espera que seja suficiente para segurar o rebanho.
Já o agricultor Manoel Antônio festeja a chegada da água e está confiante que de agora em diante vai poder plantar capim e alimentar as ovelhas, a vaca e também as galinhas.
O criador Eduardo Rêgo, que também tem um frigorífico todo certificado para carnes de ovinos, espera que o Governo do Estado seja mais responsável com seus atos.
Rêgo está fazendo referência a liberação de água nas comportas da Barragem de Santa Cruz em quantidade para chegar a quem realmente precisa ao longo do rio.
Entre os produtores, um desistiu de plantar na região. Rodrigo Benjamim tinha 2 hectares de hortas de alface sendo produzido sem agrotóxico para abastecer os supermercados de Mossoró, quando a água começou a baixar e por este fato ficou salgada, inviabilizando a produção por completo. Em função do prejuízo e a insegurança hídrica, disse que não tem como retornar à produção. Esta imagem mostrada acima, já não existe mais.