O brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, foi condenado a prisão perpétua, em Cork, na Irlanda, por ter matado a ex-namorada, a também brasileira Bruna Fonseca, de 28 anos.
A notícia está em todos os jornais de Galway e Dublin. O julgamento durou dez dias e o resultado foi anunciado em 1 hora e 2 minutos pela juíza Siobhan Lankford, de Cork.
O depoimento das testemunhas e a atuação da acusação e da defesa terminou quinta-feira, 22, desta semana. Nesta sexta-feira, dia 23, o juízo apresentou a sentença final.
Os Pacheco e Bruna são do município de Formiga, no Estado de Minas Gerais. No Brasil, os dois moraram por 5 anos. A família narra que era uma relação conflituosa.
Quando se separou, Bruna se mudou para Cork, segunda maior cidade da Irlanda. Viajou acompanhada da prima Marcela Fonseca, para buscar sonhos, uma vida nova.
Esta mudança aconteceu em setembro de 2022. Dois meses depois (18 de novembro de 2022), Pacheco foi atrás da ex-namorada. Não aceitava o fim do relacionamento.
A polícia irlandesa encontrou evidências de mais de duas mil mensagens de Pacheco para Bruna, no período de 18 de novembro a 1º de janeiro de 2023, quando a matou asfixiada.
A patologista forense, Dra. Margaret Bolster, apontou que a vítima apresentava 65 hematomas externos e internos por todo o corpo. Bruna teria morta por estrangulamento manual.
Em sua sentença, a juíza Siobhan Lankford escreveu que Bruna não poderia ser conquistada ou perdida, pois tinha seus próprios sonhos e esperanças para seguir.
Após a sentença, o réu Miller Pacheco pediu desculpas a família e aceitou a punição imposta pela justiça irlandesa. Pelo crime, ele vai ficar pelo menos 20 anos na prisão.
Crime desta natureza, não é comum na Irlanda e também nos países gelados vizinhos. Enquanto no Brasil, o feminicídio acontece com muita frequencia em praticamente todos os estados. Tem até lei própria, que, inclusive, o legislativo endureceu a pena em 2024, para inibir este tipo de ocorrência.
A lei 14.994 de 2024 (Pacote Antifeminicídio) endureceu as regras: o crime de feminicídio passou a ter pena de 20 a 40 anos — a maior do Código Penal — e exige o cumprimento de 55% da pena em regime fechado para progressão. Não é "integral" (perpétua), mas aumentou o tempo de prisão efetiva e restringiu benefícios