02/10/2024 08:31
O companheirismo ideológico vai falar alto nos próximos meses às mesas de negociações entre o Governo do Brasil, sócio comprador do gás através da Petrobras, e o da Bolívia, que perdeu um grande cliente: com a exploração mais intensa do Vaca Muerta, maior campo de gás do mundo e 4º maior de petróleo, em seu território, o Governo da Argentina recuou forte na importação do produto boliviano. Restou ao país de Luís Arce recorrer ao Brasil. Arce sabe que seu ex-aliado e agora maior adversário político, Evo Morales, vai explorar politicamente a situação. A Bolívia, com gás de sobra, precisa vender o excedente e se capitalizar. Acontece que em dezembro de 2023, ou seja, há menos de um ano, a YPFB da Bolívia já havia fechado acordo de maior venda para a petroleira brasileira, incluindo distribuição a mercado privado.
01/10/2024 08:45
A assessoria parlamentar da Marinha do Brasil solicitou ao Congresso Nacional R$ 2 milhões em emendas parlamentares para operações secretas. Entre os argumentos, aponta ações sigilosas para combate ao tráfico de entorpecentes. Dados oficiais são claros: a cada dia mais surgem apreensões da Polícia Federal de cargas de cocaína e outras drogas nos portos do Brasil. O tráfico marítimo é a principal rota de saída e chegada dos produtos. A verba é imprescindível. A Marinha já vai estrear em breve o submarino de propulsão nuclear – que pode fazer a rota Rio de Janeiro-Salvador em apenas dois dias – e fortalecer a fiscalização de embarcações da costa.
30/09/2024 12:17
A caserna está inquieta com o Governo. Há um embate velado entre o Palácio e os militares que remete, na visão dos oficiais, a um propósito político-eleitoral. O Governo articulou para retirar do Exército a tutela do bilionário programa Calha Norte, há 40 anos nas mãos dos oficiais. O Exército também perdeu para um núcleo de pastas da área social da Esplanada o comando da Operação Acolhida, da entrada de venezuelanos.
26/09/2024 11:30
Ao ignorar a crise venezuelana, o presidente Lula da Silva viu o seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU minguar junto à comunidade internacional. Na avaliação de diplomatas estrangeiros graduados, ouvidos pela Coluna, o presidente não pode abordar conflitos distantes – como Rússia x Ucrânia e Israel x Hamas e Hezbolah sem, antes, focar na região. A avaliação geral é que o Brasil, para sentar-se à mesa das grandes decisões internacionais, precisa mostrar que tem capacidade de mediar conflitos no seu entorno. Para o corpo diplomático estrangeiro, Lula não influencia em nada na Venezuela. E a citação dele muito aplaudida pelo plenário da ONU, a que falta uma mulher secretária-geral da instituição, não foi ideia do presidente brasileiro. Essa proposta é da Espanha, já apresentada em ocasiões anteriores.
25/09/2024 12:36
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem dito que o Brasil “é pró-Rússia”. Fato é que iniciativas como o acordo de cooperação em defesa do Brasil com Kiev dormitam, desde 2021, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, sem previsão de votação. É que o saldo da balança comercial Brasil-Rússia pesa. O Brasil é dependente dos fertilizantes russos, e exportamos muita carne bovina e suína para o país asiático.