11 MAI 2026 | ATUALIZADO 15:48
ESTADO
Ayrton Silva
11/05/2026 14:11
Atualizado
11/05/2026 14:13

Tarcísio Maia, 40 anos, cicatrizes abertas, vidas salvas e necessidades estruturais

O Hospital Regional Tarcísio Maia completa quatro décadas como o coração pulsante — e por vezes sobrecarregado — do Oeste Potiguar. Entre o barulho das obras que tentam modernizar uma estrutura defasada e o silêncio crítico da ausência de uma ala de queimados, a unidade sobrevive ao desafio de "trocar o pneu com o carro em movimento".
O Hospital Regional Tarcísio Maia completa quatro décadas como o coração pulsante — e por vezes sobrecarregado — do Oeste Potiguar. Entre o barulho das obras que tentam modernizar uma estrutura defasada e o silêncio crítico da ausência de uma ala de queimados, a unidade sobrevive ao desafio de "trocar o pneu com o carro em movimento".
Foto: Pedro Cezar

O Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, está completando 40 anos de funcionamento na região oeste do Rio Grande do Norte. A unidade é a principal porta de entrada para pacientes de 64 cidades do interior do Estado e passa por reforma e ampliação desde 2023, com recursos enviados pelo Senador Styvenson Valentim, no valor de cerca de 12 milhões reais. O objetivo é modernizar a estrutura, embora ainda sejam aguardadas novas instalações para atender a todas as demandas da sociedade.

A obra atual contempla a ampliação das alas de urgência e emergência, além da construção de 22 leitos de enfermaria. Já foram concluídos o necrotério, a farmácia e a ala pediátrica; agora, devem ser finalizados os setores de nutrição e lavanderia. A diretora do hospital, Ana Karina Freitas, afirma que a obra deve ser entregue até dezembro. “Estamos com 98% da primeira etapa concluída. A próxima será o pronto-socorro, que é o mais desafiador; é como trocar o pneu de um carro em funcionamento”, declarou.

Unidade de AVC:

Hoje, a unidade possui apenas um leito para tratar vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Trata-se de um núcleo que exige alta performance hospitalar, onde a prioridade máxima é a preservação do tecido cerebral através da agilidade diagnóstica e terapêutica. “Com a atual reforma, vamos ampliar para quatro leitos, com todos os equipamentos necessários. Chegando qualquer paciente aqui com janela de AVC, ele já terá o atendimento imediato”, explica a diretora.

Nestes leitos, o ideal é que os pacientes sejam acompanhados por uma equipe multidisciplinar, composta por neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, que atuem de forma coordenada. O foco é aplicar tratamentos críticos, como a trombólise, dentro da janela temporal de poucas horas para evitar sequelas permanentes. Esta estrutura dedicada garante a monitorização constante dos sinais vitais e a prevenção de complicações imediatas, como novas hemorragias ou infeções respiratórias.

Ala de Queimados:

Uma deficiência do HRTM é a ausência de uma ala específica para queimaduras. Atualmente, o serviço concentra-se em Natal, no Hospital Regional Walfredo Gurgel. “Quando recebemos pacientes com esse nível de especificidade, realizamos os procedimentos iniciais e solicitamos o suporte do Governo do Estado para a transferência. Tivemos o exemplo recente de um paciente de Baraúna que foi transferido para Natal de helicóptero, pois não tinha condições de remoção terrestre”, explicou Ana Karina.

Captação de Órgãos:

Com o objetivo de salvar vidas, o HRTM possui uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT). Este trabalho ocorre predominantemente nas Unidades de Terapia Intensiva, onde profissionais realizam o diagnóstico rigoroso de morte encefálica e oferecem acolhimento humanizado às famílias. “Essa é uma ala que muito nos orgulha. Temos uma equipe competente; somente este ano, já realizamos nove captações, beneficiando pessoas de vários estados”, afirmou a diretora.

Uma vez autorizada a doação, o hospital mobiliza uma logística complexa que envolve o centro cirúrgico e o transporte aéreo para garantir que rins, fígados e córneas cheguem aos receptores em tempo útil.

Programação Comemorativa:

No dia 18 de maio, às 8h, haverá um café da manhã especial na recepção central, com ato ecumênico e sorteio de brindes. No dia 22, às 17h, acontecerá uma missa em ação de graças na Catedral de Santa Luzia. A programação encerra-se no dia 23 com uma corrida de 5 km às 5h da manhã e, às 19h, um baile comemorativo no Requinte Buffet.

“Fazer o hospital funcionar com qualidade, mesmo com limitação de leitos e insumos, é um grande desafio. Seguimos alinhando a capacidade operacional com uma demanda que cresce continuamente”, finalizou a diretora.

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