O secretário estadual de Segurança Pública e Defesa Social, coronel PM Francisco Araújo, informou ao MOSSORÓ HOJE que o delegado Andresso Claudius Freire da Silva já se encontra na região Oeste do Rio Grande do Norte para investigar a operação desastrada da polícia Civil que resultou na morte do jovem Douglas Rebouças da Silva Cavalcante, de 20 anos, e deixou baleado um adolescente de 15 anos, no início da madrugada de sábado (10), entre as cidades de Lucrécia-RN, Almino Afonso-RN e Frutuoso Gomes-RN.
O coronel Araújo adiantou ao MH que as armas dos policiais foram apreendidas e entregues ao delegado Andresso Claudius, titular da Delegacia Especializada em Crimes Funcionais, da Corregedoria-Geral da polícia Civil do Rio Grande do Norte, que deve encaminhar este material bélico para exames de balísticos na Polícia Técnica do Rio Grande do Norte.
O secretário destacou também que os três policiais (nomes resguardados) foram afastados de suas funções. A publicação está no Diário Oficial do Estado, deste dia 13, assinado pela delegada Ana Claudia Saraiva. Em casos desta natureza, a legislação de 2004 prevê afastamento dos servidores para que o caso seja investigado com isenção, evitando possível influência dos servidores nas investigações da corregedoria.
A ocorrência aconteceu no início da madrugada do dia 10 de janeiro de 2026, no trevo rodoviário entre as cidades de Lucrécia-RN, Almino Afonso-RN e Frutuoso Gomes-RN. As duas vítimas e um amigo estavam retornando de uma lanchonete em Lucrécio, se deslocando em duas motocicletas pela rodovia com destino ao sítio Exu, na divisa com Almino Afonso.
O comandante Waldemar, da polícia Militar de Lucrécia, estava com sua equipe fazendo uma blitz na região da usina de reciclagem. Eles pararam os três amigos que estavam nas duas motos e, por conhecer os três, liberou para seguir viagem. Felipe, que estava só na moto, foi na frente, seguido com certa distância por Douglas e o adolescente na outra moto.
Menos de cinco quilômetros a frente, no trevo da rodovia de acesso às cidades de Almino Afonso e Frutuoso Gomes, estavam os três policiais civis com as luzes apagadas. Felipe foi abordado e os policiais civis, usando lanternas, passaram a revistá-los. Douglas e o adolescente, que seguiam logo atrás, estranharam a movimentação e entraram no trevo na direção de Almino Afonso e foram baleados, possivelmente, com tiro de fuzil, nas costas.
A bala pegou na mão do adolescente e perfurou as costas de Douglas Rebouças, matando-o. O sargento Waldemar, que estava próximo, ouviu o tiro e chegou ao local rapidamente, socorrendo Douglas para o hospital. O adolescente, com medo de ser moto, correu para dentro do mato, levado, em seguida, para o Hospital Regional de Pau dos Ferros.
Por volta de meio-dia do sábado, 10, os próprios policiais civis que participaram da operação desastrada que resultou na morte de Douglas, estiveram procurando Felipe, que testemunhou tudo pessoalmente, querendo levá-lo para prestar depoimento na Delegada. Felipe foi, mas no horário agendado no final da tarde e acompanhado com advogado.
Na manhã de domingo, 11, durante o sepultamento da vítima, milhares de pessoas de Lucrécia, Frutuoso Gomes e até de cidades vizinhas participaram um grande ato de protesto, pedindo justiça, com afastamento imediato dos policiais, armas apreendidas e a designação de um delegado especial para investigar o caso.
Investigação desta natureza transcorre em segredo de justiça. Oficialmente, seguindo os protocolos previstos na legislação, o delegado Andresso Claudius tem 30 dias para concluir as investigações e fazer os encaminhamentos necessários. Havendo culpa dos policiais civis investigados, estes serão processados na Justiça comum e também vão responder administrativamente, podendo, inclusive, serem excluídos dos quadros da polícia Civil.