27 JUN 2022 | ATUALIZADO 12:59
MOSSORÓ
24/07/2019 22:40
Atualizado
29/07/2019 16:33

Invasões ocasionam rombo anual de R$ 31 milhões na saúde em Mossoró

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Prefeitos acertam repassar por 20 atendimentos em Mossoró e mandam mais de 200 pacientes; Sobra para a Prefeitura de Mossoró pagar a conta
Imagem 1 -  Pacientes lotam corredores do HRTM, muitos deles deveriam receber atendimento em suas cidades de origem
Pacientes lotam corredores do HRTM, muitos deles deveriam receber atendimento em suas cidades de origem

Jéssica (nome fictício) tem oito meses. É de Patu, distante 120 km de Mossoró. Ela chegou ao Hospital Regional Tarcísio Maia com cansaço, “Suspeitam que é pneumonia”, diz a mãe (nome preservado), que acompanha a filha com ar de preocupação.  

Assim como Jéssica, chegam pacientes com problemas de saúde de média, baixa e alta complexidade de pelo menos 70 cidades do Oeste do RN, Ceará e Paraíba todos os dias em Mossoró, procurando serviços de saúde na oncologia, nas UPAs, na maternidade ou no HRTM.

O que poucas pessoas sabem ou conseguem entender é que quem paga esta conta é a Prefeitura Municipal Mossoró, que por este fato é obrigado a sacrificar serviços de atenção básica para custear os serviços contratados em benefício de outras cidades.

O rombo é milionário. Ultrapassa a casa dos R$ 31 milhões ao ano.

Até mesmo Natal, que tem um sistema mais sofisticado de controle de atendimento nos hospitais, o rombo nos cofres públicos municipais, pelos mesmos motivos, ultrapassa a casa dos R$ 80 milhões ao ano.

Estes dados foram repassados pelo técnico José Robson, da Secretaria Estadual de Saúde, nesta quarta-feira, 24, na II URSAP, para uma plateia de mais ou menos 20% dos gestores municipais da região, que enviam pacientes para receber atendimento de saúde em Mossoró.

“Quando o assunto é pactuação, eles não aparecem. Costumamos dizer que quando o assunto é pactuação, os gestores fogem dos debates como o cão foge da cruz”, diz José Robson, antes de começar sua exposição de dados preocupantes sobre a saúde do RN na II Ursap.

O técnico explicou como o prejuízo nasce e cresce em cidades como Mossoró e Natal. Segundo ele, os municípios que não dispõe do serviço de saúde (alguns especializados) deveria pactuar com quem oferece, no caso, Mossoró e Natal, garantindo assim o atendimento ao paciente.

Entretanto, estes municípios não pactuam atendimentos suficientes para atender a demanda. Por exemplo, o gestor de uma cidade de 25 mil habitantes pactua com Mossoró, 50 partos, mas no final do ano, Mossoró realizou 400 partos. Neste caso, Mossoró paga a conta de 350.

A movimentação das ambulâncias do interior do RN nos hospitais e maternidades de Natal e Mossoró ficam, a cada, mais intensa, não importando a hora ou se é dia feriado ou não. Estão sempre chegando com pacientes graves e principalmente de média e baixa complexidade.

A Secretaria Saudade Azevedo, da Saúde em Mossoró, chegou a dizer que o Hospital Maternidade Almeida Castro era quem fazia o maior número de atendimento de pacientes “invasores”, com um custo anual de cerca de R$ 2 milhões. Porém, José Robson, da SESAP, que estava perto de Saudade Azevedo no momento da entrevista, pediu para esclarecer.

Ele apresentou dados mostrando  que os recursos investidos no Hospital Maternidade Almeida Castro, representam uma  pequena parcela diante do rombo de R$ 31 milhões deixado pelos "invasores" por ano.

O debate para surtir efeito, segundo o secretário adjunto Petrônio Spinelly, da Secretaria Estadual de Saúde, precisa do engajamento de todos, inclusive da classe política, que tem se mantido resistente ao tão necessário processo de regionalização da saúde.

O que é mais grave, segundo Herbenia Ferreira, diretora geral do HRTM, são os gestores municipais que deveriam oferecer o serviço de saúde básica, para pacientes como Jéssica, citado no início desta matéria, em sua cidade, para não terminar no HRTM.

O paciente sofre quando termina adoecendo porque não teve saúde preventiva, sofre dentro de uma ambulância para chegar a Mossoró. “Para evitar este sofrimento, o caminho é regionalizar a saúde, melhorar o serviço de atenção básica nas cidades”, diz Spinelly.

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