25 AGO 2019 | ATUALIZADO 10:30
POLÍCIA

Deltan pediu a Moro para liberar dinheiro para vídeo anticorrupção

Em mais um ciclo de conversas vazadas entre o procurador Deltan Dallagnol e o então Juiz Sergio Moro, Deltan enviou mensagens a Moro, sugerindo o uso de recursos da Vara Federal de Curitiba para custear um vídeo anticorrupção que seria veiculado na Globo.
COM INFORMAÇÕES DA EXAME E FÓRUM
16/07/2019 09:59
Atualizado
16/07/2019 10:00
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Deltan pediu a Moro para liberar dinheiro para vídeo anticorrupção
FOTO: AGÊNCIA BRASIL

O procurador Deltan Dallagnol sugeriu o uso de recursos da Vara Federal de Curitiba para custear um vídeo anticorrupção que seria veiculado na Globo, segundo vazamentos de mensagens feitos pelo site The Intercept Brasil, em parceria com Reinaldo Azevedo, nesta segunda-feira (15).

Em 16 de janeiro de 2016, Deltan escreveu ao então juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a seguinte mensagem:

“Vc acha que seria possível a destinação de valores da Vara, daqueles mais antigos, se estiverem disponíveis, para um vídeo contra a corrupção, pelas 10 medidas, que será veiculado na globo?? A produtora está cobrando apenas custos de terceiros, o que daria uns 38 mil. Se achar ruim em algum aspecto, há alternativas que estamos avaliando, como crowdfunding e cotização entre as pessoas envolvidas na campanha.”

Em seguida, ele encaminha o roteiro e o orçamento do vídeo, notando que ainda poderia haver alteração.

“Avalie de modo absolutamente livre e se achar que pode de qq modo arranhar a imagem da LJ de alguma forma”, aponta Deltan.

 No dia seguinte, 17 de janeiro de 2016, Moro responde: “Se for só uns 38 mil achi [“acho”] que é possível. Deixe ver na terça e te respondo…. “.

Pelas mensagens até agora, não fica claro qual foi a resposta dada por Moro, quais recursos são esses e como eles poderiam ser direcionados pelo então juiz.

O roteiro do suposto comercial, anexado em PDF, inclui um homem de terno e gravata que invade uma “família de classe média” para jogar fora comidas e remédios, rasgar e rabiscar livros infantis e em seguida engatilha um revólver na frente de um casal que permanece dormindo.

A campanha das 10 medidas contra a corrupção foi elaborada pelo Ministério Público Federal, apoiada por atores da Lava Jato como Sergio Moro e levada ao Congresso em 2017.

Desde então, se converteu em projetos de lei. alguns dos quais estão em avanço (como a criminalização do caixa dois) enquanto outros estão parados ou foram considerados inconstitucionais.

Desde o início dos vazamentos das mensagens há pouco mais de um mês, tanto Deltan quanto Moro tem se negado a garantir a sua autenticidade ao mesmo tempo em que insistem que elas não revelam nenhuma irregularidade.


DEPUTADO PEDE RETENÇÃO DO PASSAPORTE DE DELTAN DALLAGNOL PARA EVITAR FUGA

Após faltar a requerimentos para explicar na Câmara dos Deputados as mensagens vazadas pelo site The Intercept Brasil, o deputado federal Rogério Correia anunciou, na tarde desta segunda-feira (15), que apresentou pedido de retenção do passaporte do procurador Deltan Dallagnol.

De acordo com assessoria do congressista o pedido será protocolado na próxima quarta-feira (17), na Câmara.

O registro será feito na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, por sinal a mesma comissão que aguardava a presença do procurador para explicar as últimas denúncias feitas pela imprensa.

Deltan Dallagnol, que é coordenador da Lava Jato, optou por não comparecer às audiências a que foi convidado.

“Dallagnol tem tempo para responder a órgãos de comunicação, como o Estadão, mas não demonstra a mesma boa vontade para falar com os parlamentares, o que é no mínimo uma afronta à democracia”, diz o deputado Rogério Correia.

O objetivo da reunião era debater as reportagens do The Intercept Brasil que noticiaram mensagens trocadas entre Deltan, o então juiz Sérgio Moro (atual ministro da Justiça e da Segurança Pública) e outros integrantes da Lava Jato.

Os textos do site levantam a suspeita de que Moro teria atuado com parcialidade em decisões relacionadas à operação.

“Neste momento em que se agravam as acusações contra ele e seu parceiro, Sergio Moro, é importante termos a garantia de que ele não poderá deixar o país, como aliás fez este fim de semana o próprio ministro da Justiça, viajando aos EUA.”


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