13 MAR 2026 | ATUALIZADO 16:33
Luz Espírita
06/05/2016 16:16
Atualizado
13/12/2018 03:27

Os religiosos estão mesmo salvos?

Os religiosos estão mesmo salvos?
Reprodução/Internet

CARTAS DO CAMINHO

A palavra religião tem origem na expressão latina “religare” e nos remete a ideia de “ligar a Deus”. Não se pode questionar a nobreza de um instituto que busca aproximar os seres humanos do Pai Maior de bondade, justiça e misericórdia, além de ter como objetivo auxiliar as pessoas a serem melhores.

O problema não está nas religiões, mas no desvirtuamento que ocorre por parte de muitas instituições religiosas e por seus religiosos, o que, muitas vezes, provoca o descrédito e a aversão de quem não crê em nenhuma religião, nem mesmo em um Ser Supremo. Não de todo sem razão.

As crenças são bastante particulares e a cada um é dado o direito de crer, inclusive, o de não crer em nada. No entanto, aquelas que se fundamentam na doutrina Cristã, que tem como mestre, modelo e guia Jesus Cristo, deveriam, seguindo o seu exemplo, buscar valorizar o ponto em comum entre todas, que é o da moral do Cristo e do ensino que se inicia pela máxima de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

Jesus não veio a este planeta implantar ou apresentar qualquer religião e aqueles religiosos que adotam como mandamento o dizer: “fora da igreja não há salvação”, devem refletir se com esse pensamento não estão mais excluindo do que aproximando ou mais desagregando do que unindo.

O Evangelho segundo o Espiritismo nos oferta sublimes lições de como devemos agir de forma a nos aproximar de Deus e de nos tornarmos discípulos de Jesus, o que acontece através da prática da caridade e da humildade, afastando-se veementemente do orgulho e do egoísmo. Perceba-se que ele não nos ensina que “fora do espiritismo não há salvação”, mas nos revela, com incontestável clareza que, não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: Fora da caridade não há salvação.

Quando buscamos impor nossas crenças a outrem, quando julgamos aqueles que não acreditam nas nossas verdades ou que cometem qualquer ato equivocado, aos nossos olhos e fazendo as vezes do Pai Maior, ou ainda, quando assentimos com qualquer exclusão baseada em diferenças religiosas, por exemplo, estamos praticando o inverso do que Jesus veio ensinar, pois estamos exercitando o orgulho, a vaidade, o egoísmo e fomentando a separação entre semelhantes.

Bastante esclarecedoras as palavras do Evangelho quando, amorosamente, ensinam que “o dogma — Fora da Igreja não há salvação — se estriba, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, porém, numa fé especial, em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto. Longe de unir os filhos de Deus, separa-os; em vez de incitá-los ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre sectários dos diferentes cultos que reciprocamente se consideram malditos na eternidade, embora sejam parentes e amigos esses sectários”.

O mesmo raciocínio se aplica aqueles que afirmam que “fora da verdade não há salvação”, pois igualmente exclusivista e separatista se manifesta tal pensamento, ao passo que todas as doutrinas religiosas creem serem detentoras da verdade. Sobre isso, Allan Kardec nos questiona de maneira inegavelmente lúcida: Que homem se pode vangloriar de a possuir integral, quando o âmbito dos conhecimentos incessantemente se alarga e todos os dias se retificam as ideias?

Dito isso, tenhamos em mente que, sem sombra de dúvidas e baseando-se nos ensinamentos do espiritismo, a caridade está acima até mesmo da fé. É que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular.

De tal modo compreendeu o discípulo Paulo essa grande verdade, que disse: Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade.

Queridos irmãos, que possamos ser reconhecidos não pela religião que professamos, ou mesmo pela ausência dela, mas que busquemos a salvação através dos esforços empreendidos, dia a dia, em prol do nosso progresso moral individual, que influencia diretamente na evolução moral coletiva; que sejamos reconhecidos pelo bem realizado em favor dos nossos semelhantes, pelos pontos em comum e pelo respeito às diferenças, lembrando sempre que o verdadeiro Cristão pratica o amor e a caridade, independente da crença ou da seita a que pertença.

Fernanda Lucena

Casa do Caminho - Mossoró

Notas

Publicidades

Outras Notícias

Deixe seu comentário